PredittaLenses: O Laboratório de Políticas de Crédito

O Preditta Lenses é a plataforma de rating estatístico, simulação de políticas de crédito e gestão de recebíveis da Preditta Advanced Risk Solutions, empresa do ecossistema SIACorp. Combina um modelo de probabilidade de default (PD) treinado por machine learning, um ambiente de simulação de cenários em lote e uma camada de planejamento financeiro que transforma risco em limite de crédito e gestão de recebíveis.

Rating Estatístico: previsão de inadimplência com machine learning

O modelo de PD do Preditta Lenses combina indicadores financeiros anuais, histórico real de pagamento (atrasos, prazo médio de recebimento, comportamento multi-ano), dados de bureau e setor econômico (CNAE) de cada CNPJ. Dados ausentes são tratados como sinal próprio via missing-indicators, permitindo pontuar qualquer empresa, com ou sem balanço, com ou sem histórico. O modelo é validado temporalmente (treino até um ano, teste no ano seguinte — validação forward) e é auditável: cada nota vem acompanhada dos fatores que mais pesaram nela.

Métricas do modelo ativo: ROC-AUC de 0,807 e Gini de 0,614 (faixa "ótimo"); Brier score de 0,076, indicando boa calibração de probabilidades. O modelo ativo é um XGBoost, com regressão logística, random forest, lasso e ridge como desafiantes em um registro de versões.

Simulação de Política de Crédito em lote

O módulo de Simulação executa o modelo de rating em lote sobre toda a carteira e devolve a distribuição de notas (AA a D) que uma determinada política produziria, o comportamento por setor econômico e as concentrações de risco, antes de a política entrar em produção. Parâmetros de apetite de perda esperada, severidade da perda (LGD), base de exposição e prazos são ajustáveis, com recálculo em tempo real da tabela de limites.

Rating de Crédito e Gestão de Recebíveis

A tela de Rating de Crédito consolida a nota do modelo especialista e a nota estatística em um limite de crédito, ancorado de forma conservadora em percentuais do patrimônio, ativo ou receita, escalado pela nota e disciplinado pela perda esperada (PD × LGD). O módulo de Recebimentos organiza a carteira por aging (em dia, 1–15, 16–30, 31–60, 61–90, 90+ dias), acompanha PMR e DSO por cliente, segmento e gestor, e mantém uma watchlist das exposições de maior probabilidade de atraso.

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Publicado por SIACorp | Site: | Telefone: +55 11 2385-8808

Preditta Lenses

O Laboratório de Políticas de Crédito

PredittaLenses: O Laboratório de Políticas de Crédito

Como prever a inadimplência, planejar e testar o futuro antes que ele aconteça.

Durante boa parte da minha carreira, a análise de crédito no Brasil funcionou olhando para trás. O analista recebia um balanço, comparava com uma tabela de índices, aplicava a política e concedia ou negava o limite. Era uma fotografia do passado usada para decidir sobre o futuro.

O problema é conhecido: a fotografia envelhece rápido, ignora o comportamento real de pagamento e não responde à pergunta que mais importa para quem concede crédito: o que acontece se o cenário mudar?

Foi para responder a essa pergunta que construímos, dentro do Preditta Lenses, três blocos que conversam entre si: um motor de previsão de inadimplência, um ambiente de simulação de cenários e uma camada de planejamento financeiro que traduz risco em limite e em gestão de recebíveis. Neste artigo compartilhamos como essa combinação muda o jogo.



1. Previsão de inadimplência que aprende com o comportamento real


O coração do módulo de Rating Estatístico é um modelo de probabilidade de default (PD) treinado por machine learning. A diferença para o rating tradicional está no que ele enxerga.

Em vez de olhar só para o balanço, o modelo combina quatro blocos de informação: os indicadores financeiros anuais, o histórico real de pagamento (atrasos, prazo médio de recebimento, comportamento multi-ano), os dados de bureau e o setor econômico de cada CNPJ.

E aqui está o ponto que costuma passar despercebido: a maioria das empresas não tem todos esses blocos. Resolvemos isso com um tratamento explícito de dados ausentes: a própria falta de uma informação vira sinal. Assim, um único modelo pontua qualquer empresa: com balanço e sem balanço, com histórico e sem histórico. Ninguém fica de fora da análise.

O resultado é um poder de discriminação bem acima do rating fundamentalista clássico, com um cuidado que fazemos questão de destacar: validação temporal. Treinamos até um ano e testamos no ano seguinte, replicando exatamente a decisão real: prever o futuro, não decorar o passado. E como o modelo é auditável, cada nota vem acompanhada dos fatores que mais pesaram nela. Nada de caixa-preta.

2. Simulação de cenários: testar a política antes de aplicá-la


Prever bem é metade do caminho. A outra metade é decidir com segurança sobre milhares de contrapartes ao mesmo tempo. É aqui que a maioria das áreas de crédito ainda navega no escuro.

O módulo de Simulação roda o modelo em lote sobre toda a carteira e devolve, em segundos, a distribuição de notas que uma determinada política produziria: quantas empresas cairiam em cada faixa (AA a D), como cada setor se comporta, onde estão as concentrações de risco. Quer endurecer o corte? Afrouxar o apetite? Mudar os pesos dos indicadores? Você vê o efeito antes de colocar em produção, não depois, quando o prejuízo já apareceu.

Parâmetros de política como apetite de perda esperada, severidade da perda (LGD), base de exposição e prazos são ajustáveis e a tabela de limites é recalculada em tempo real. O gestor deixa de discutir crédito com base em intuição e passa a discutir com base em simulação.

3. Do risco ao planejamento financeiro


Um bom rating que não vira número de negócio é um exercício acadêmico. Por isso a última camada fecha o ciclo: transforma risco em planejamento.

Cada empresa recebe, lado a lado, a nota do modelo especialista e a nota estatística, consolidadas em um limite de crédito proposto. Esse limite parte de uma capacidade ancorada de forma conservadora nos fundamentos: o menor entre percentuais do patrimônio, do ativo ou da receita, sendo escalado pela nota.

E há a dimensão que talvez seja a mais subestimada no planejamento financeiro: a gestão de recebíveis. O módulo de Recebimentos organiza a carteira por aging, acompanha os prazos médios de recebimento (PMR) e dias de vendas pendentes (Days Sale Outstanding ou DSO) por cliente, segmento e gestor, sinaliza os segmentos em risco e mantém uma watchlist das exposições de maior probabilidade de atraso. Não é mais só saber quem pode dar problema, é saber quando o caixa entra e onde estão os gargalos de recuperação.

Por dentro da máquina: como isso funciona na prática


Para quem gosta de abrir o capô, vale descer um nível e mostrar como essas ideias aparecem nas telas da plataforma, porque é aí que a metodologia deixa de ser discurso e vira operação.

A Visão Geral do Rating Estatístico: métricas que se explicam

Rating Estatístico — Visão Geral: desempenho do modelo de PD, distribuição de notas e preditores

Figura 1: Rating Estatístico — Visão Geral: desempenho do modelo de PD, distribuição de notas e preditores.


A primeira tela do módulo estatístico não mostra uma "nota mágica" — mostra o desempenho do modelo, com as réguas de leitura ao lado.

O ROC-AUC de 0,807 e o Gini de 0,614 ficam na faixa "ótimo" das escalas exibidas na própria tela; o Brier score de 0,076 indica probabilidades bem calibradas, quando o modelo diz 20% de PD, cerca de 20% dessas empresas de fato atrasam.

Variáveis do Modelo: transparência no lugar de caixa-preta

Variáveis do Modelo — aba Todas: importâncias com sentido do efeito na PD

Figura 2: Variáveis do Modelo — aba "Todas": importâncias com sentido do efeito na PD.


A tela de Variáveis lista as 161 features do modelo ativo com suas importâncias e o sentido do efeito na PD: vermelho aumenta o risco, verde reduz. O ranking conta uma história que todo gestor reconhece: os preditores mais fortes são comportamentais.

• Atraso máximo (dias): importância 0,063 | OR 1,85× por DP.

• Pior atraso histórico (dias): importância 0,058 | OR 1,85× por DP.

• % de faturas com atraso > 15 dias: importância 0,030 | OR 1,98× por DP.

• % de faturas com atraso > 30 dias: importância 0,024 | OR 1,85× por DP.

Variáveis do Modelo — aba Pagamento: detalhamento dos indicadores comportamentais

Figura 3: Variáveis do Modelo: aba "Pagamento": detalhamento dos indicadores comportamentais.


O balanço importa, mas o comportamento de pagamento fala mais alto. Há um detalhe técnico elegante aqui: as dummies de ausência. Quando um indicador falta, o modelo registra a falta como variável própria. Empresas sem histórico de atraso carregam OR de 0,54×: a ausência de ocorrências é, em si, um sinal de qualidade. É o método missing-indicator transformando dados incompletos em informação preditiva.

Carteira & Erros: a prova de calibração que todo comitê deveria exigir

Carteira e Erros: matriz de confusão e faixas de score com taxa de default observada

Figura 4: Carteira & Erros: matriz de confusão e faixas de score com taxa de default observada.


Modelo bom não basta, é preciso decidir onde cortar. A tela de Carteira & Erros entrega a prova de que o modelo calibra bem: a tabela de faixas de score mostra a taxa de default observada, crescendo monotonicamente por décimo de PD.

Matriz de confusão fora da amostra (corte PD 0,20): 794 verdadeiros positivos, 942 defaults não detectados, 14.168 empresas corretamente liberadas. Especificidade de 91,8%: mínimo de alarmes falsos para a carteira saudável.

Estratégia de Corte: o trade-off explícito

Estratégia de Corte: curvas de sensibilidade ao limiar e watchlist das maiores PDs

Figura 5: Estratégia de Corte: curvas de sensibilidade ao limiar e watchlist das maiores PDs.


A tela de Estratégia de Corte coloca o dilema na mesa com um controle deslizante e três curvas: cobertura, precisão e recall. No corte de 0,20:

• 12% da base sinalizada para revisão.

• 45,7% dos defaults futuros capturados (recall).

• 38,5% de precisão: quase 4× a taxa-base de inadimplência.

• 91,8% de especificidade: carteira saudável com mínimo de fricção.

A watchlist lista nominalmente as exposições de maior PD prevista com o desfecho observado: do agregado ao caso concreto em um clique.

Modelos e Validação Forward: prever o futuro, não decorar o passado

Modelo e Validação: registro de modelos, métricas por fold e validação temporal forward

Figura 6: Modelo & Validação: registro de modelos, métricas por fold e validação temporal forward.


A validação cruzada é agrupada por empresa (GroupKFold) para impedir que a mesma companhia apareça em treino e teste: o vazamento silencioso que infla métricas em muitos projetos de crédito. Mas o teste mais honesto é o forward: treinar até o ano X e prever X+1.

O modelo melhora à medida que o histórico de pagamento se adensa, e a plataforma mostra isso sem retoque. Um registro de versões (XGBoost ativo, com regressão logística, random forest, lasso e ridge como desafiantes) permite trocar o modelo em produção sem migração de dados. Cada versão carrega seu esquema de features, cortes de PD e métricas.

Simulação: a política de crédito em laboratório

Simulação de Rating: configuração de pesos, classificação setorial e distribuição de notas resultante

Figura 7: Simulação de Rating: configuração de pesos, classificação setorial e distribuição de notas resultante.


A tela de Simulação executa o modelo em lote: na última rodada exibida, mais de 10,5 mil empresa-anos, agrupados por grupo CNAE, num intervalo configurável de anos. O retorno vem em três leituras:

• Distribuição de notas: o "mix" AA–D que a política produz: espalhamento aceitável ou distorção concentrada?

• Resumo por setor: mediana, média, mínimo e máximo do score por setor: para flagrar setores sistematicamente favorecidos ou penalizados.

• Detalhe empresa a empresa: score e nota individual para todo o universo pontuado.

Simulação: resumo por setor, detalhe individual e explicação de como funciona

Figura 8: Simulação: resumo por setor, detalhe individual e explicação de como funciona.


O botão Calibrar Faixas grava os cortes escolhidos na configuração de pesos: e a mudança de política sai da planilha paralela e entra no sistema, versionada e auditável.

Rating de Crédito: seis parâmetros, limites em tempo real

Rating de Crédito: distribuição de notas especialista x estatística e parâmetros dos limites

Figura 9: Rating de Crédito: distribuição de notas especialista × estatística e parâmetros dos limites.


Por fim, a tela que traduz tudo em dinheiro. Seis controles: apetite de perda esperada (EL máx), LGD, base de exposição (rotativa ou anual), âncoras de capacidade, desconto por nota e prazo por nota: recalculam os limites de toda a carteira em tempo real.

Rating de Crédito: tabela consolidada com notas, limites e fórmulas de referência

Figura 10: Rating de Crédito: tabela consolidada com notas, limites e fórmulas de referência.


O limite estatístico é disciplinado pela perda esperada (PD × LGD contra o apetite); o limite do modelo especialista, pelo desconto da nota; e o limite consolidado é o menor dos dois. Ao lado de cada proposta, a tela documenta a fórmula, porque limite de crédito bom é limite que se explica.

Recebimentos: do modelo ao caixa

Módulo de Recebimentos — Painel Executivo: valor faturado, PMR, aging e taxa de recuperação

Figura 11: Módulo de Recebimentos — Painel Executivo: Valor faturado, PMR, aging e taxa de recuperação.


A cadeia fecha no Módulo de Recebimentos: um painel executivo com total faturado, taxa em dia, taxa de recuperação, atraso médio e atraso médio ponderado.

A análise de aging classifica as faturas em faixas (em dia, 1–15, 16–30, 31–60, 61–90, 90+ dias) com a taxa de recuperação de cada faixa: de 97,8% nos pagamentos de 1–15 dias a 64% nos vencidos há mais de 90 dias. Combinada com a watchlist de clientes de alto risco e a predição de comportamento de pagamento, a equipe financeira passa a gerir recebíveis com a mesma precisão que o crédito usa para aprovar o limite.


Por que isso importa agora


O crédito no Brasil está mais competitivo, os spreads mais apertados e a tolerância a erro, menor. Nesse ambiente, ganha quem antecipa em vez de reagir, quem simula em vez de apostar e quem planeja o caixa com a mesma disciplina com que analisa o balanço.

Foi essa a tese que implementamos no Preditta Lenses. Não para substituir o julgamento do analista, mas para dar a ele um instrumento à altura da decisão que precisa tomar.

Se você atua com crédito, risco ou gestão de recebíveis, ficaremos felizes em trocar ideias sobre como estruturar essa jornada, do modelo preditivo à política de limites. Deixe seu comentário ou entre em contato pelo formulário abaixo.


Alexandre Marinho — fundador e presidente da SIACorp Software & Consultoria e da Preditta Advanced Risk Solutions.
Alexandre Ywata Carvalho Xavier — fundador e conselheiro da Preditta Advanced Risk Solutions.